domingo, 18 de outubro de 2009

Projetando

“A única atitude digna de um homem superior é o persistir tenaz de uma actividade que se reconhece inútil, o hábito de uma disciplina que se sabe estéril, e o uso fixo de normas de pensamento filosófico e metafísico cuja importância se sente ser nula.”
Fernando Pessoa
(Livro do Desassossego)

Na epígrafe de minha dissertação se encontra descrito o sentimento de transição e reapaixonamento em que me encontro. Embora pareça inútil, esta pesquisa merece ser feita. E merece, portanto, ser bem feita. A despeito de sua nulidade, exige persistência e disciplina, ainda que estéreis.

O duro, meus caros, é conseguir terminar esse projeto de doutorado hoje...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Máximas

Cúmulo da infantilidade escolar: enganar professor de cursinho

Cúmulo da infantilidade afetiva: fazer cobranças de ex-namorado(a)

Cúmulo da infantilidade acadêmica: ler, usar e não citar ou não ler e citar

Cúmulo da infantilidade social: ficar bravo com um amigo porque ele te falou uma puta verdade

Cúmulo da infantilidade internética: ficar puto quando as pessoas fuçam seus perfis

Alguém tem mais sugestões?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Saudade de palcos ou Bailarina Frustrada

Acordei esta tarde (!) com esta música na cabeça. Acho que sonhei com sapatinhas.
Ouvindo a música me lembrei do som do bandolim tocado pelo Diego. E me lembrei de uma juventude recente já quase esquecida. Das aulas de dança na academia. Das poucas aulas de balé e do teatro. De uma jovem que não enfrentou o mundo se rodopiando.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Falta de criatividade = Colocar texto dos outros

Poucas coisas neste mundo são mais tristes do que um bolo industrializado. Ali no supermercado, diante da embalagem plástica histericamente colorida, suspiro e penso: estamos perdidos. Bolo industrializado é como amor de prostituta, feliz natal de caixa automático, bom dia da Blockbuster. É um anti-bolo.

Não discuto aqui o gosto, a textura, a qualidade ou abundância do recheio de baunilha, chocolate ou qualquer outro sabor. (O capitalismo, quando se mete a fazer alguma coisa, faz muito bem feito). O problema não é de paladar, meu caro, é uma questão de princípios. Acredito que o mercado de fato melhore muitas coisas. Podem privatizar a telefonia, as estradas, as siderúrgicas. Mas não toquem no bolo! Ele não precisa de eficiência. Ele é o exemplo, talvez anacrônico, de um tempo que não é dinheiro. Um tempo íntimo, vagaroso, inútil, em que um momento pode ser vivido no presente, pelo que ele tem ali, e não como meio para, com o objetivo de.

Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas. Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo. É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos.

A minha geração talvez seja a primeira que pôde crescer e tornar-se adulto sem saber fritar um bife. O mercado (tanto com m maiúsculo como minúsculo) nos oferece saladas lavadas, pratos congelados, comida desidratada, self-services e deliverys. Cortar, refogar, assar e fritar são verbos pretéritos.

Se você acha que é tudo bem, o problema é seu. Eu vou espernear o quanto puder. Se entregarmos até o bolo aos códigos de barras, estaremos abrindo mão de vez da autonomia, da liberdade, do que temos de mais profundamente humano. Porque o próximo passo será privatizar as avós, estatizar a poesia, plastificar o amor, desidratar o mar e diagramar as nuvens. Tô fora.

Antonio Prata