terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ensaio sobre a escuridão

Virou moda!
Agora todo mundo quer contar o que estava fazendo há exatamente uma semana mais ou menos neste horário.
Queria ter escrito antes, mas aí vai o registro da minha história.
Eu não estava dirigindo quando tudo se apagou.
Estava no cinema. No HSBC Belas Artes, que eu adoro. Eu tinha ganhado um ingresso por R$2 do Catraca Livre e queria aproveitar.
Fui ver Coco antes de Chanel sozinha depois de sair do cursinho.
Quase no fim do filme, quando a irmã de Coco ia lhe dar uma notícia na saída do teatro, a escuridão.
Risadas. Luzes de emergência bem claras se acenderam na sala.
As pessoas esperam, porque quedas de energia costumam ser rápidas (!)
Nada de a luz ou o filme voltarem.
Um sujeito se levanta, sai da sala e volta com a notícia de que parece que o quarteirão todo se apagou.
Um outro sujeito se levanta, sai da sala e volta com a notícia de que o bairro todo está sem luz.
Quando um outro sujeito se levantou e voltou com a notícia de que aparentemente a cidade de São Paulo inteira estaria no escuro, me levantei pra ir embora. Fui a primeira a desistir da volta da filme. Saí direto para o banheiro. Meu lado otimista dizia que pelo menos eu poderia fazer xixi, já que estava segurando os 350 ml de refrigerante que tomei no início do filme. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que nos banheiros não há luzes de emergência. OK. Eu faço xixi no escuro mesmo e depois conto essa experiência pras pessoas como a coisa esquisita que aconteceu comigo na noite do apagão. Mal sabia eu que as coisas só estavam começando. Com a luz do celular, desbravei o banheiro e consegui me aliviar meio ansiosa porque a bateria do celular estava no fim.
Quando saio do banheiro me deparo com uma fila (!) É, as pessoas também desistiram e veio todo mundo pra cá pegar uma autorização pra voltar ao cinema.
Olho para o ponto da Consolação e LO-TA-DO. Logo penso que o metrô deve ter parado...
Consigo pegar um Parque Continental relativamente cheio depois de atravessar como uma louca pro outro lado porque, oras, não há semáforos funcionando.
Descendo a Rebouças, a cena da barbárie que pude ver de perto por conta de estar quase no colo do motorista empurrada pela lotação do ônibus - impossível não se lembrar de Saramago. Carros buzinando, pessoas correndo. Os comentários no ônibus eram de pessoas assustadas. A essa altura já tinha ouvido alguém comentar que a coisa parecia ter atingido parte do país. Pensava em Franca. E meu celular morrendo, sem ao menos poder ligar pra ninguém. Como bons paulistanos, pensávamos todos no aumento de assaltos por conta da escuridão.
Quando o ônibus entrou na Corifeu e começou a esvaziar dava pra ver as pessoas descendo nos pontos e saindo correndo pras suas casas enquanto havia a luz dos faróis do ônibus. Escuridão. Medo.
Desci e fiz o mesmo. Escuridão. Medo. Cheguei em casa, coração acelerado, velas confortantes. O Ro ligou, tudo certo, em Franca não teve apagão. O celular morreu de vez. Fui deitar preocupada e querendo ter um despertador de corda como o do meu pai. Como iria acordar pra dar aula no dia seguinte? Combinamos em casa, quem acordasse primeiro chamaria os outros. Ok, boa noite.
Acordo assustada. Mais barbárie. Ouvi e vi pela janela a invasão da loja ao lado. Medo. Mais uma vez.
Tempos depois: polícia, desce todo mundo de pijama pra rua. E volta pra cama claro com uma vontade louca de dormir.
Acelerada, assisti TV. Ah, a luz tinha voltado, mas a essa hora era já não era o que importava.
Fui dar aula com lindas olheiras e debati o medo como tema de redação.
No sábado voltei ao cinema e vi, finalmente, o fim de Coco... Recomendo.
E se alguém me perguntar daqui um tempo o que aconteceu comigo no apagão, eu vou dizer que graças a ele eu vi duas exposições cinemtográfica por dois reais. E só.
___________________________________________
Escrito ao som de "Wonderwall" cantanda pela Cat Power.

domingo, 18 de outubro de 2009

Projetando

“A única atitude digna de um homem superior é o persistir tenaz de uma actividade que se reconhece inútil, o hábito de uma disciplina que se sabe estéril, e o uso fixo de normas de pensamento filosófico e metafísico cuja importância se sente ser nula.”
Fernando Pessoa
(Livro do Desassossego)

Na epígrafe de minha dissertação se encontra descrito o sentimento de transição e reapaixonamento em que me encontro. Embora pareça inútil, esta pesquisa merece ser feita. E merece, portanto, ser bem feita. A despeito de sua nulidade, exige persistência e disciplina, ainda que estéreis.

O duro, meus caros, é conseguir terminar esse projeto de doutorado hoje...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Máximas

Cúmulo da infantilidade escolar: enganar professor de cursinho

Cúmulo da infantilidade afetiva: fazer cobranças de ex-namorado(a)

Cúmulo da infantilidade acadêmica: ler, usar e não citar ou não ler e citar

Cúmulo da infantilidade social: ficar bravo com um amigo porque ele te falou uma puta verdade

Cúmulo da infantilidade internética: ficar puto quando as pessoas fuçam seus perfis

Alguém tem mais sugestões?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Saudade de palcos ou Bailarina Frustrada

Acordei esta tarde (!) com esta música na cabeça. Acho que sonhei com sapatinhas.
Ouvindo a música me lembrei do som do bandolim tocado pelo Diego. E me lembrei de uma juventude recente já quase esquecida. Das aulas de dança na academia. Das poucas aulas de balé e do teatro. De uma jovem que não enfrentou o mundo se rodopiando.