segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Diálogo com Saramago
Dizemos
Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.
José Saramago
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Respondemos
O que posso dizer é que não tenho achado a ponta do novelo. Tenho-o vivido pelos meios, pelos embaraços. Sem quase nenhum trecho liso. Tenho medo de me deparar com alguma ponta. Como saberei se é a do princípio ou do fim? Sendo a do fim, como tranformá-la em começo? Tomara que eu não encontre. Que fique com os embaraços.
Quanto ao "querer", posso dizer que sou daqueles brasileiros não praticantes que sofrem de um certo ceticismo em relação ao poder do "almejar". Sou abúlica.
E confusa.
Luciana
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Sedutora Loucura
Em vão, a loucura tentou me persuadir no livro de Erasmo que acabei de ler.
"Elogio da Loucura" quase me fez mudar de idéia.
Seu enaltecimento dos loucos e sua ridicularização dos sábios quase me convenceu.
Ela mostrou como, com a ciência, somos infelizes e insuportavelmente chatos.
A loucura nos faz alegres, interessantes, agradáveis...
O sábios são esses seres excluídos por causa de sua estranheza.
Ela quase me convenceu. A crítica de Eramo de Roterdã ao racionalismo não conseguiu atingir esta filha dos tão aclamados valores ocidentais (se é que existem).
E me fez lembrar um livro que li ("Como me tornei estúpodo") em que o personagem encara uma jornada pra se livrar da consciência e lucidez que o fazem miseravelmente infeliz para se tornar estúpido e, portanto, mais feliz. O que houve foi que ele foi convencido pela Loucura.
Eu não.
Vou continuar sendo aquela criança de óculos que ficava num canto lendo enquanto os primos tocavam o terror em suas brincadeiras. Vou continuar sendo esta pessoa chata cheia de opiniões estranhas que estragam o clima agradável nas rodas de conversa. Porque eu não me convenço! Porque eu não me entrego, embora cansada...
Vou sempre preferir o desprazer do conhecimento ao regozijo da ignorância.
PS1: Márcio, valeu pelo presente! :)
PS2: Vou me contrariar em breve, deixando de lado a dissertação e me entregando ao carnaval... Mas, é só por alguns dias...
"Elogio da Loucura" quase me fez mudar de idéia.
Seu enaltecimento dos loucos e sua ridicularização dos sábios quase me convenceu.
Ela mostrou como, com a ciência, somos infelizes e insuportavelmente chatos.
A loucura nos faz alegres, interessantes, agradáveis...
O sábios são esses seres excluídos por causa de sua estranheza.
Ela quase me convenceu. A crítica de Eramo de Roterdã ao racionalismo não conseguiu atingir esta filha dos tão aclamados valores ocidentais (se é que existem).
E me fez lembrar um livro que li ("Como me tornei estúpodo") em que o personagem encara uma jornada pra se livrar da consciência e lucidez que o fazem miseravelmente infeliz para se tornar estúpido e, portanto, mais feliz. O que houve foi que ele foi convencido pela Loucura.
Eu não.
Vou continuar sendo aquela criança de óculos que ficava num canto lendo enquanto os primos tocavam o terror em suas brincadeiras. Vou continuar sendo esta pessoa chata cheia de opiniões estranhas que estragam o clima agradável nas rodas de conversa. Porque eu não me convenço! Porque eu não me entrego, embora cansada...
Vou sempre preferir o desprazer do conhecimento ao regozijo da ignorância.
PS1: Márcio, valeu pelo presente! :)
PS2: Vou me contrariar em breve, deixando de lado a dissertação e me entregando ao carnaval... Mas, é só por alguns dias...
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